Se você usou a internet nos anos 2000, provavelmente já teve uma conta no Orkut. Talvez ainda se lembre das comunidades que participava, dos depoimentos, dos scraps e daquela sensação de encontrar pessoas que gostavam das mesmas coisas que você.
Por isso, a notícia de que o Orkut voltou a movimentar seu antigo endereço na internet nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, chamou tanta atenção.
Mas existe uma diferença importante: o antigo Orkut ainda não voltou.
O que apareceu no site oficial é um novo projeto do criador da rede social, Orkut Büyükkökten, que está propondo uma nova experiência de rede social baseada em pessoas, comunidades e conexões entre indivíduos com interesses em comum.
O que aconteceu com o Orkut?
O site orkut.com recebeu uma atualização e, depois de uma contagem regressiva, passou a apresentar uma mensagem do próprio criador da rede.
Em vez de anunciar simplesmente a reativação da antiga plataforma, Büyükkökten apresentou a ideia de construir algo novo.
Por enquanto, quem entra no site encontra informações sobre o projeto e uma petição para assinar. Ainda não é possível entrar em uma conta antiga, recuperar um perfil ou voltar para as comunidades que existiam antes. O cadastro também deixa claro que a inscrição não garante um nome de usuário ou uma conta futura.
Ou seja, aquela antiga página cheia de scraps e comunidades não está novamente disponível.
Mas a história pode estar começando outra vez.
E quais são as novidades?
A principal novidade está justamente na proposta.
O novo projeto não parece querer simplesmente copiar o Orkut que existiu até 2014. A ideia apresentada pelo criador é pensar em uma rede social diferente do modelo que se tornou comum nos últimos anos, com mais importância para relações entre pessoas e comunidades formadas por interesses em comum.
Ainda não foram apresentados todos os recursos da futura plataforma, nem existe uma data confirmada para o lançamento de uma nova rede social.
Por isso, é melhor controlar um pouco a empolgação. O Orkut está dando sinais de que algo novo está sendo construído, mas ainda não temos uma nova plataforma para usar.
E talvez seja justamente essa espera que esteja deixando tanta gente curiosa.
Por que tanta gente ainda sente falta do Orkut?
A resposta talvez esteja nas comunidades.
Hoje estamos acostumados a seguir perfis, acompanhar vídeos recomendados por algoritmos e receber uma quantidade enorme de conteúdo todos os dias. No Orkut, as comunidades tinham um papel muito mais evidente na formação das conversas.
Você procurava um assunto que gostava e encontrava outras pessoas interessadas na mesma coisa.
Era possível entrar em uma comunidade sobre um livro, uma banda, uma novela, uma cidade, uma profissão ou simplesmente uma mania qualquer. Algumas comunidades eram enormes. Outras reuniam poucas pessoas, mas justamente aquelas que tinham alguma coisa em comum.
E isso faz pensar em uma coisa que continua acontecendo na internet, mesmo depois de tantas mudanças: as pessoas ainda querem encontrar outras pessoas que gostam das mesmas coisas que elas.
E o que os livros têm a ver com isso?
Muito mais do que parece.
Quem gosta de ler sabe que um livro pode ser uma ótima desculpa para começar uma conversa.
Você lê uma história, gosta de um personagem, se irrita com uma decisão do protagonista ou termina o livro querendo saber o que outra pessoa achou. Então procura uma resenha, entra em um clube de leitura, comenta uma publicação ou indica aquele título para alguém.
É uma comunidade que começa por uma história.
Talvez seja por isso que a ideia de recuperar a importância das comunidades seja tão interessante para quem gosta de livros.
Antes de existirem os grandes perfis literários, os vídeos sobre livros e os conteúdos que aparecem diariamente nas redes sociais, leitores já procuravam outros leitores na internet.
A diferença é que hoje temos muito mais ferramentas para fazer isso.
E, ao mesmo tempo, talvez tenhamos perdido um pouco daquela sensação de simplesmente entrar em um lugar porque havia pessoas ali falando sobre uma coisa que também interessava a você.
Será que o novo Orkut pode mudar a forma como usamos as redes sociais?
Ainda é cedo para dizer.
O projeto ainda não apresentou todos os detalhes e não existe uma plataforma disponível para testarmos. Mas o fato de o criador do Orkut voltar a falar sobre comunidades e conexões reais já é suficiente para despertar uma discussão interessante sobre o que esperamos de uma rede social atualmente.
Na carta aberta publicada no site, Orkut Büyükkökten também faz críticas à forma como as redes sociais mudaram com o tempo, especialmente ao uso de algoritmos e da inteligência artificial. Na visão apresentada por ele, essas tecnologias passaram a ocupar um espaço cada vez maior na maneira como consumimos conteúdo e nos relacionamos na internet, muitas vezes priorizando aquilo que prende nossa atenção em vez de simplesmente aproximar pessoas com interesses em comum.
A preocupação dele é que, quando os algoritmos decidem constantemente o que devemos ver, a experiência nas redes acaba ficando muito diferente daquela internet em que as pessoas procuravam umas às outras por interesses compartilhados. Ele também questiona o impacto do conteúdo produzido por inteligência artificial nesse cenário, em que a quantidade de informações disponíveis cresce rapidamente, mas isso não significa necessariamente que estejamos encontrando mais conversas verdadeiras ou conexões significativas.
É justamente nesse ponto que a proposta de um novo Orkut fica mais interessante. Em vez de apenas trazer de volta uma rede social que fez parte da internet brasileira, a ideia apresentada parece partir de uma pergunta maior: será que podemos construir uma internet em que as pessoas tenham novamente mais espaço para escolher com quem querem conversar, quais comunidades querem frequentar e quais interesses realmente desejam compartilhar?
Para quem gosta de livros, isso soa familiar.
Afinal, uma das melhores coisas da leitura é justamente descobrir que aquela história que mexeu com você também encontrou outras pessoas.
Talvez a grande questão não seja recuperar exatamente o Orkut que conhecemos.
Talvez seja descobrir se ainda existe espaço para uma internet em que as pessoas não estejam apenas passando de um conteúdo para outro, mas também encontrem lugares para conversar sobre aquilo de que realmente gostam.
Para quem gosta de livros, isso soa familiar.
Afinal, uma das melhores coisas da leitura é justamente descobrir que aquela história que mexeu com você também encontrou outras pessoas.
E, se o novo projeto do Orkut realmente colocar as comunidades no centro da experiência, quem sabe os leitores também encontrem um novo lugar para conversar sobre livros, compartilhar descobertas e encontrar gente que tenha os mesmos títulos na lista de favoritos.
Por enquanto, só nos resta esperar para descobrir o que vem por aí.
E, para quem viveu a época do Orkut, talvez seja impossível não olhar para essa novidade e pensar:
qual seria a comunidade que você criaria hoje?





























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